29.12.08

fim de ano.

você pensa que quando chega o fim do ano é hora de ter crise.
você pensa que quando chega a crise de fim de ano é hora de pensar nas coisas ruins do ano que passou.
você pensa que quando pensa nas coisas ruins do ano que passou é hora de pensar em como melhorar as coisas ruins do ano que passou, no ano que virá.
você pensa que pensando em melhorar coisas ruins do ano que passou, no ano que virá, se redime dos erros que cometeu no ano que passou.
você pensa, e pensa demais.
talvez por isso não tivesse errado tantas coisas no ano que passou...

11.12.08

ócio.

a luz da tevê brilhava nas lentes dos óculos, já tão arranhadas que era quase impossível enxergar através delas.
"ruim com elas, tanto pior sem...", pensou. deu o trago derradeiro no último cigarro do maço, olhou pras paredes mofadas, como se pudesse lembrar da aparência que elas tiveram no passado (o que era impossível, afinal, havia chegado ali faziam 3 meses, e desde já elas eram como são).
levantou-se da poltrona, a tevê gritava algo sobre um acidente ou notícia trágica do gênero. caminhou em direção a cozinha, abriu a geladeira e pegou a última lata de cerveja da prateleira. abriu, deu um gole, lembrou da noite anterior. vagamente. era o que conseguia. sabia que tinha passado da conta, que passara a noite com alguém de quem não conseguia lembrar nem o rosto, nem o gosto do beijo. não havia mesmo feito diferença alguma. o sexo havia sido comum.
terminou a cerveja, ainda na cozinha. colocou a lata vazia em cima da pia, abriu o armário e pegou um ou dois biscoitos. caminhou até o quarto, com o último biscoito na boca. abriu o armário, que rangeu as portas, e procurou por uma camisa. escolheu a mais escura, num tom cinza, quase preto. jogou-a junto com a calça que já se encontrava na cama, e entrou pro banho.
esqueceu de levar a toalha. saiu, molhado, passou pelo corredor e encontrou uma pendurada na porta do quarto de hóspedes. nem se lembrava de existir aquele quarto ali. voltou ao banho, ainda interminado, a mente vagueou. começou a se masturbar, aproveitando a quentura do banho, foi se excitando sozinho. desistiu de gozar. àquela altura já não queria mais sentir prazer em nada. na verdade, perdeu o prazer nas coisas mais simples, nos pormenores mais banais. não queria estar ali. não queria ser quem era. não havia mais qualquer resquício de vontade dentro dele.

preferiu jogar o corpo em cima da cama e procurar abrigo no sono e na preguiça, algo que o deixava isento de qualquer compromisso com a vontade. ficava livre pra ser o que o tempo, a inércia e o ócio quisesse que fosse.

4.12.08








www.DrPepper.com.br

quando sair um com a mallu magalhães eu coloco aqui permanentemente.
viva o DrPepper. (e a Simara, que me apresentou o malandro.)

30.11.08

tudo vazio.
me sentir vivo ao ver o sangue correndo da ferida aberta me faz perceber isso.
os momentos de alegria são vividos bem, como o ensaio e as conversas falando besteiras, sentados à mesa do bar, regadas a cerveja. mas, sempre fica o sentimento de que falta algo.
de fato falta. um pedaço que ficou longe. quase longe demais esses dias.

21.11.08

sobre como visitei as nuvens.

o horizonte ao longe fitava-me desesperadamente, me fazendo no peito uma dor lancinante.
o relógio se apressou em me dizer que era hora feita, e eu fui saindo de mansinho, como quem não quer ir (e bem, eu não queria de fato), mas tive que passar pelo portal, seguir por aquele corredor hostil. "ah meu deus do céu vai ser doído assim no inferno!!!", e parafraseando tom zé, eu subi naquele pássaro. quando fui ver, já tinha caído gota atrás de gota, da plantação de saudade que tava criando ali, e eu, sem nem notar, me vi de repente flutuar, já longe as luzes da cidade, no céu lotado de nuvens relampejantes. imaginem qual não foi o meu espanto ao ver uma delas vindo em minha direção, pronta pra abocanhar os sonhos que eu guardei por tanto tempo. me apressei e alcancei o resto da turma, que já ia longe na viagem. aproveitei pra colher um pouco de cheiro teu, pois a saudade floresceria tão logo eu descesse de bordo.
foi assim que visitei as nuvens, e brinquei com elas.

11.11.08

Sexta-feira, 31 de outubro de 2008.

23h40

estou sentado na sala de espera para o embarque no portão. o avião acaba de estacionar ali. eu tô bem cansado. de manhã fui trancado em casa, não consegui sair até às 16h30, quase não vi minha mãe, quase perdi a paciência com isso tudo aqui. esse negócio de aeroporto internacional é um nojo. todo mundo se achando poliglota e cheio da grana. okay, eles até são, mas isso não faz de ninguém o rei-da-cocada-preta!
as palavras da mãe ainda ecoam aqui dentro... tão menos pela viagem quanto pelas advertências quanto aos problemas de relacionamento com o povo todo. isso é uma bosta. eu não gosto, mas a vontade de caminhar sozinho no mundo impera sempre, nesses dias. eu não sei o que fazer. ou sei, e não faço por covardia ridícula e pura.
a ceninha com o pessoal da companhia aérea na porta com sorrisinhos falsos tá rolando. o vôo vai sair à 00h00, cinco minutos atrasado. eu ainda não sei se vou conseguir chegar em tempo de curtir pelo menos o finzinho da festa na nath. mesmo assim, o peito parece que vai abrir de ansiedade (ou ansiosidade, como diria alguém, certo dia). como sempre, pra todos essa viagem parece uma loucura. pra mim também. eu gosto disso. de sentir a ilusão de controlar a própria vida. é bom. me conforta e afaga. ainda mais sabendo que vão ter uns olhinhos tão bonitos me esperando, quando eu chegar.
ah, é a chamada de embarque. agora são 23h54. eu vou voar pelo caminho mais bonito...

sábado, 01 de novembro de 2008.

00h20

estou já acomodado no assento 18F (janelinha, guris! janelinha!), vendo os outros aviões parados ali do lado, e a asa da aeronave em que me encontro.
isso demora de um jeito que não ajuda em nada minha ansiedade... acho que o pessoal dos assentos do lado exagerou um pouco na bagagem de mão. desligando os celulares, pessoal... vamos lá...
o inglês dos funcionários do aeroporto é horroroso. nota mental... hahahaha...
okay, chega de escrever... (por ora.)


e eu descobri que quando se está dentro de um avião a única coisa em que se pensa é: possibilidades e maneiras (detalhes e tudo o mais) de como ele irá cair. péssimo.

14.10.08

"but i wouldn't have you how you want"

eu já me esqueci.
do cheiro, do gosto, da sensação de estar aí.
e a memória era minha felicidade maior.
preservava você do jeito que eu idealizei.
exatamente da maneira que eu te quero.
agora ficou só um fragmento de lembrança.
é seu sorriso que não saiu ainda...

3.10.08

há tempos que eu digo que sou voyeur. Mas não um voyeur comum. Sou um voyeur dos pequenos detalhes.
das mínimas percepções, dos toques sutis que fazem meus olhos lacrimejarem, um sorriso satisfeito brotar no rosto.
sou aficcionado por cada estrela dessas que brilham dentro dos oceanos. essas outras que lhe percorrem todo o corpo, como que feitas pra hipnotizar cada célula desse sistema que eu sou. esse sistema burro, que insiste em insistir no que menos lhe parece promissor, concreto.
há tempos tbm que eu sei que meu peito (de sal de fruta, fervendo num copo d'água e tudo o mais) é tão retardado quanto a minha razão sem lógica. razão essa que eu ja perco, fazendo flutuar no céu de algodão doce.
agora é levar o corpo, a mente, e os cacos do jeito que vão... que eles se juntam e rejuntam em várias formas e polígonos!

26.9.08

Fire.

eu fiz a letra dessa música na semana do acidente com o avião da TAM, em Congonhas.
mandei para o ygor que colocou a melodia.

fire|brunodumont

when I saw the sky was gray
and the fire came against me
the only thing that I could think
where's the miracle we all have been waiting?
it comes like fire
it comes like fire
it comes like fire

whispers can be signs of grace
all the sins are miraculous
if I have to see the hell
with my eyes tearing blood
it will come like fire
it will come like fire
it will come like fire
it will come like fire



25.9.08


àdois | brunodumont

quando todo mundo acha q eu sou só, eu tenho ela. e ela me tem.
a gente planeja todas as coisas juntos.
a partida, o refrão
a patrulha, a sessão
todo o futuro de toda gente daqui.
a gente fere e atordoa
renova
desmistifica a vastidão desse chão revirado
dá vida e mundos novos
sepulta e benvinda
a gente dói junto e chora
todas as dúvidas e confusões
o meu nome eu entrego pra ela
casa que eu escolhi
assim, de vontade própria
lugar pra onde eu sempre volto tarde
mas que me acolhe da mesma maneira
como se eu nunca tivesse sido de outro mundo.

"que vc consiga ficar bem só e pensar."


leia ouvindo: ♫  Belchior - Passeio.

27.8.08

do monte fez-se areia.
e não foi à toa, que escolhi dele fazer meu sobrenome.
do lado oposto eu perdi o gosto, mas não venci.
deixei falhar a lembrança de quantas vezes lágrimas rolaram, e por tudo o mais em que se possa crer, perdi o rumo das minhas pernas e das palavras.
não há pra quem dizer, pra quem ligar ou pra quem chorar baixo, no canto, no colo.
só há falta. dos sons que puseram minha vida em música.
eu não pretendo aqui homenagear, nem mesmo fazer citação.
eu só quero externalizar. que de interno já há muita dor e canção.
que se fica tudo aqui preso, a vontade é de destruir muita coisa significante.
e eu que achava ser só uma insignificância, uma única gota no oceano de lágrimas que isso se tornou.

"eu não sambo mais em vão."

5.8.08

barulho pra curar barulho.
 - Silêncio!
(pra quebrar o silêncio.)






*a culpa é do Sarau do Binho.

28.7.08

os quadrinhos já não me fascinam tanto quanto antes.
de fato, nada mais me fascina como antes, a não ser a música e as bandas e os shows.
eu vim andando pelo caminho mais curto, e de repente veio nas narinas o cheiro de todas as mulheres da minha vida, ao mesmo tempo.
eu pude reconhecê-los, um por um.
cada peculiaridade, cada diferença entre eles.
pude ver cada rosto feminino na minha cabeça à medida que os cheiros se revezavam.
pensei que algo pudesse estar acontecendo com elas.
improvável, assim simultaneamente.
talvez eu seja o único ponto comum entre elas.
elas vieram me dizer que eu não vou conseguir ser feliz nunca.
vieram me ver.
tirar sarro de mim.
o trânsito me tira o cheiro delas, e traz a fumaça.
me sinto melhor.
continuo andando, de encontro à estação que me traz tanto alívio.
aqui eu sempre tenho um alguém com quem falar.
aqui eu sempre tenho carinho infinito.
"por isso, você é o lugar pra onde sempre vou e fico..."

23.6.08

eu podia viver com somente você, ele e uma mesa com vinho. pro resto do sempre.

um brinde!

18.6.08

o cansaço da célula é a vitalidade do organismo.
o cansaço da célula é a vitalidade do organismo.
o cansaço da célula é a vitalidade do organismo.
o cansaço da célula é a vitalidade do organismo.
o cansaço da célula é a vitalidade do organismo.


se morre de cansaço cada célula, não persiste o organismo. é isso que eles não vêem. é isso o que incomoda, o que tortura minha cabeça.
se a mente vazia é casa do diabo, ela cheia é casa pro ser humano. patético, destrutivo, estúpido. o que de pior ocorre no mundo. o que devasta, até o fim.

4.6.08

mono tonia.

a televisão ta muito alta. o vizinho tem criança pequena, já passam das dez, e eu to morrendo de frio sentado em frente a essa tela.
desligaram o compartilhador de arquivos na empresa, e com isso eu não posso colocar minha atenção no projeto ao qual planejei me dedicar essa noite.
a voz não estava boa, antes da janta. toquei três músicas que exigem muito dela, sempre, e foi ruim.
ela me chama na janela piscante ali embaixo.
a cadela se engruvinhou no sofá, deve estar com frio também.
penso que é bom não estar chovendo.
desvio a atenção pra televisão, ta passando o jogo de futebol.
dou de ombros, futebol não tem mais o mesmo gosto pra mim.
vou continuar baixando os quadrinhos, coisa que me fascina nos últimos dias.
penso de repente, que eu podia estar fazendo algo mais produtivo agora.
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é. monotonia é bom. não acontece coisa boa, mas coisa ruim também não há...