30.11.08

tudo vazio.
me sentir vivo ao ver o sangue correndo da ferida aberta me faz perceber isso.
os momentos de alegria são vividos bem, como o ensaio e as conversas falando besteiras, sentados à mesa do bar, regadas a cerveja. mas, sempre fica o sentimento de que falta algo.
de fato falta. um pedaço que ficou longe. quase longe demais esses dias.

21.11.08

sobre como visitei as nuvens.

o horizonte ao longe fitava-me desesperadamente, me fazendo no peito uma dor lancinante.
o relógio se apressou em me dizer que era hora feita, e eu fui saindo de mansinho, como quem não quer ir (e bem, eu não queria de fato), mas tive que passar pelo portal, seguir por aquele corredor hostil. "ah meu deus do céu vai ser doído assim no inferno!!!", e parafraseando tom zé, eu subi naquele pássaro. quando fui ver, já tinha caído gota atrás de gota, da plantação de saudade que tava criando ali, e eu, sem nem notar, me vi de repente flutuar, já longe as luzes da cidade, no céu lotado de nuvens relampejantes. imaginem qual não foi o meu espanto ao ver uma delas vindo em minha direção, pronta pra abocanhar os sonhos que eu guardei por tanto tempo. me apressei e alcancei o resto da turma, que já ia longe na viagem. aproveitei pra colher um pouco de cheiro teu, pois a saudade floresceria tão logo eu descesse de bordo.
foi assim que visitei as nuvens, e brinquei com elas.

11.11.08

Sexta-feira, 31 de outubro de 2008.

23h40

estou sentado na sala de espera para o embarque no portão. o avião acaba de estacionar ali. eu tô bem cansado. de manhã fui trancado em casa, não consegui sair até às 16h30, quase não vi minha mãe, quase perdi a paciência com isso tudo aqui. esse negócio de aeroporto internacional é um nojo. todo mundo se achando poliglota e cheio da grana. okay, eles até são, mas isso não faz de ninguém o rei-da-cocada-preta!
as palavras da mãe ainda ecoam aqui dentro... tão menos pela viagem quanto pelas advertências quanto aos problemas de relacionamento com o povo todo. isso é uma bosta. eu não gosto, mas a vontade de caminhar sozinho no mundo impera sempre, nesses dias. eu não sei o que fazer. ou sei, e não faço por covardia ridícula e pura.
a ceninha com o pessoal da companhia aérea na porta com sorrisinhos falsos tá rolando. o vôo vai sair à 00h00, cinco minutos atrasado. eu ainda não sei se vou conseguir chegar em tempo de curtir pelo menos o finzinho da festa na nath. mesmo assim, o peito parece que vai abrir de ansiedade (ou ansiosidade, como diria alguém, certo dia). como sempre, pra todos essa viagem parece uma loucura. pra mim também. eu gosto disso. de sentir a ilusão de controlar a própria vida. é bom. me conforta e afaga. ainda mais sabendo que vão ter uns olhinhos tão bonitos me esperando, quando eu chegar.
ah, é a chamada de embarque. agora são 23h54. eu vou voar pelo caminho mais bonito...

sábado, 01 de novembro de 2008.

00h20

estou já acomodado no assento 18F (janelinha, guris! janelinha!), vendo os outros aviões parados ali do lado, e a asa da aeronave em que me encontro.
isso demora de um jeito que não ajuda em nada minha ansiedade... acho que o pessoal dos assentos do lado exagerou um pouco na bagagem de mão. desligando os celulares, pessoal... vamos lá...
o inglês dos funcionários do aeroporto é horroroso. nota mental... hahahaha...
okay, chega de escrever... (por ora.)


e eu descobri que quando se está dentro de um avião a única coisa em que se pensa é: possibilidades e maneiras (detalhes e tudo o mais) de como ele irá cair. péssimo.