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do monte fez-se areia. e não foi à toa, que escolhi dele fazer meu sobrenome. do lado oposto eu perdi o gosto, mas não venci. deixei falhar a lembrança de quantas vezes lágrimas rolaram, e por tudo o mais em que se possa crer, perdi o rumo das minhas pernas e das palavras. não há pra quem dizer, pra quem ligar ou pra quem chorar baixo, no canto, no colo. só há falta. dos sons que puseram minha vida em música. eu não pretendo aqui homenagear, nem mesmo fazer citação. eu só quero externalizar. que de interno já há muita dor e canção. que se fica tudo aqui preso, a vontade é de destruir muita coisa significante. e eu que achava ser só uma insignificância, uma única gota no oceano de lágrimas que isso se tornou. "eu não sambo mais em vão."
os quadrinhos já não me fascinam tanto quanto antes. de fato, nada mais me fascina como antes, a não ser a música e as bandas e os shows. eu vim andando pelo caminho mais curto, e de repente veio nas narinas o cheiro de todas as mulheres da minha vida, ao mesmo tempo. eu pude reconhecê-los, um por um. cada peculiaridade, cada diferença entre eles. pude ver cada rosto feminino na minha cabeça à medida que os cheiros se revezavam. pensei que algo pudesse estar acontecendo com elas. improvável, assim simultaneamente. talvez eu seja o único ponto comum entre elas. elas vieram me dizer que eu não vou conseguir ser feliz nunca. vieram me ver. tirar sarro de mim. o trânsito me tira o cheiro delas, e traz a fumaça. me sinto melhor. continuo andando, de encontro à estação que me traz tanto alívio. aqui eu sempre tenho um alguém com quem falar. aqui eu sempre tenho carinho infinito. "por isso, você é o lugar pra onde sempre vou e fico..."
eu podia viver com somente você, ele e uma mesa com vinho. pro resto do sempre. um brinde!
o cansaço da célula é a vitalidade do organismo. o cansaço da célula é a vitalidade do organismo. o cansaço da célula é a vitalidade do organismo. o cansaço da célula é a vitalidade do organismo. o cansaço da célula é a vitalidade do organismo. se morre de cansaço cada célula, não persiste o organismo. é isso que eles não vêem. é isso o que incomoda, o que tortura minha cabeça. se a mente vazia é casa do diabo, ela cheia é casa pro ser humano. patético, destrutivo, estúpido. o que de pior ocorre no mundo. o que devasta, até o fim.

mono tonia.

a televisão ta muito alta. o vizinho tem criança pequena, já passam das dez, e eu to morrendo de frio sentado em frente a essa tela. desligaram o compartilhador de arquivos na empresa, e com isso eu não posso colocar minha atenção no projeto ao qual planejei me dedicar essa noite. a voz não estava boa, antes da janta. toquei três músicas que exigem muito dela, sempre, e foi ruim. ela me chama na janela piscante ali embaixo. a cadela se engruvinhou no sofá, deve estar com frio também. penso que é bom não estar chovendo. desvio a atenção pra televisão, ta passando o jogo de futebol. dou de ombros, futebol não tem mais o mesmo gosto pra mim. vou continuar baixando os quadrinhos, coisa que me fascina nos últimos dias. penso de repente, que eu podia estar fazendo algo mais produtivo agora. . . . . . . . é. monotonia é bom. não acontece coisa boa, mas coisa ruim também não há...