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oração da noite.

noite. desconfusa noite. que nos tolera vasta, inexata. imprecisa. cubra da tua escuridão meu senso, envolva da tua confusão meu peito. prepara-nos belos encontros. jorra tua luz aos quatro cantos. que o medo humano de se azucrinar passa correndo pelos dias. que as estrelas iluminam os pensamentos gêmeos por menos sombra que eles façam agora. por ora, traga alento para que possamos perder o fôlego. nesta e noutras inúmeras vezes.
escrevi uma cena linda, dentro da minha cabeça. qual não foi minha surpresa ao notar que Ela podia se mostrar cada vez mais bonita, a cada dia que passa. em cada trejeito, cada palavra. cada vez que eu a olhava...

augusta diário.

03h35 da manhã. meu sono foi embora, assim que você chegou. eu quis te beijar, te sentir bem perto. esquecer do mundo la fora, de todas as buscas que ainda me atormentam e só pensar no quanto as coisas mais simples parecem tão perfeitamente acomodadas quando você está por perto. lembrei de uma coisa bonita que escrevi, muito tempo atrás. quis te mandar. ainda não o fiz, pois o Wilco tocando aqui me fez perder a noção de tudo. Jeff Tweedy devia virar estátua quando morresse, e ser entitulado "O faquir da dor", como já diria o tio Jards Macalé, tão sabiamente. me lembrei de como tudo é tão cruel pra todos nós, hoje em dia. de como todas as coisas nos fazem sofrer. da pressão do dia-a-dia, da rotina que mata os sonhos, da falta de cuidado e zêlo entre as pessoas. nada disso pode abalar-me as estruturas agora. nada disso tudo que já me abalou. fecho os olhos. unhas vermelhas (mais precisamente Vermelho Paixão)passam pelo meu braço, enquanto cada um dos meus vários pelos se arrepi...

sobre o que ninguém entende (e nunca poderá entender, obrigado).

Na pressa de encontrar motivos me perdi. O Sol, a essa hora já se pondo, refletia a minha imensa falta de vontade em viver. Balbuciei palavras, friamente. Retive nos olhos as expressões mais contidas. Enganei a todos. Acharam que eu iria pra rua, ser aquele por quem todos lamentam, o cara que não deu certo. Mas eu tenho o dom de me reconfigurar. A singela aptidão de transformar o meu calvário em redenção, e isso sem mostrar nada, pra ninguém. Por quê? Porque ninguém entende. Ninguém poderia. O meu modo de vida é sim, arcar com o mal. Sobre amá-lo, eu faço tipo. O que eu amo é entrar numa rua, num bar, numa casa, respirar fundo e sentir o cheiro da alegria. Ouvir acordes enquanto quase passo mal de tanta admiração. Sentir as coisas, do jeito que eu não sentia. O sangue correndo nas minhas veias, oxigenando o meu pobre cérebro. "get on the turkish line you've never written a diamond under my door i'm through this door..." ouvindo Vanguart - Beloved.

sexta-feira 10.

entrei em casa e ela já me olhava do alto. joguei o casaco na poltrona no canto da sala, beijei meu pai, desci as escadas pro quarto. liguei o computador, coloquei um som calmo, entrei no banheiro e escovei os dentes. logo depois, me despi, abri o box e entrei, girei o misturador e a água fez massagem nas minhas costas. fria. odeio esse chuveiro que não segura a temperatura. ajustei no misturador de modo a esquentar a água, peguei o xampu e esfreguei a cabeça cantando a próxima da lista. terminado o banho me enrolei na toalha. saí pro quarto, peguei a calça, a mesma de sempre, o único jeans que me resta, vesti as pernas, fechei o botão. peguei lá fora a tábua de passar. algo manchou justamente a camisa que eu tinha escolhido pra hoje. que saco! achei uma outra, melhor alternativa, liguei o ferro cantarolando: "Guarda os olhos nas palavras/Desinteressada, logo vira o rosto/E a página". camisa passada, desodorante, um pouco d'água pra lubrificar a garganta tão maltratada a ...

a procura.

os vícios, as letras, os ócios as cores, os jogos, sentidos preceitos, amores, colóquios loucuras, tremores, amigos o que é que você vai procurar agora? os livros, as cartas, os nomes as dores, os copos vazios conceitos, rumores impróprios fartura, temores, a vida inteira o que é que você vai procurar agora? já não bastava ter perdido tudo? o que é que você vai estragar agora? o meu lugar no universo ainda não vagou. o que é que vc vai... pra onde é que vc vai? música nova do Assinado Maria, minha banda. quem quiser ouvir, www.assinadomaria.com.br :*

a escolha #2

virei as costas e dei alguns passos, com o cigarro aceso na mão esquerda, a outra enfiada no bolso da calça. a chuva só não me açoitava o rosto por causa do capuz que eu usava. de repente me senti observado, não pelos olhos que eu tinha deixado mareados, ali, há poucos metros para trás, mas por outros olhos, distantes, frios, redentórios. continuei caminhando, olhando pro prédio à minha esquerda. um brilho, de espelho, refletindo alguma luz, me bateu nos olhos. soube que tinha pouco tempo. me despedi mentalmente dela. dei o último trago no cigarro e joguei a bituca no meio fio. uma bala atravessou meu peito, antes mesmo da bituca tocar o chão. fui o escolhido. assim, fica marcada a dor em mim. câmbio, desligo.

a culpa é de quem?

eu escolhi a dedo as palavras. meti, no meio de nós dois, tantas sílabas quantas foram possíveis. você nem sequer me deu tempo de sonhar. convenci-me de que tudo havia terminado. a parte ruim, pelo menos. em uma semana, soube que o pior estava por vir. {hoje, não sobrou nenhum vestígio de humanidade em mim. saco a pistola, lhe beijo a testa, e puxo o gatilho.} e u f o r i a .

"but i wouldn't have you how you want"

eu já me esqueci. do cheiro, do gosto, da sensação de estar aí. e a memória era minha felicidade maior. preservava você do jeito que eu idealizei. exatamente da maneira que eu te quero. agora ficou só um fragmento de lembrança. é seu sorriso que não saiu ainda...
há tempos que eu digo que sou voyeur. Mas não um voyeur comum. Sou um voyeur dos pequenos detalhes. das mínimas percepções, dos toques sutis que fazem meus olhos lacrimejarem, um sorriso satisfeito brotar no rosto. sou aficcionado por cada estrela dessas que brilham dentro dos oceanos. essas outras que lhe percorrem todo o corpo, como que feitas pra hipnotizar cada célula desse sistema que eu sou. esse sistema burro, que insiste em insistir no que menos lhe parece promissor, concreto. há tempos tbm que eu sei que meu peito (de sal de fruta, fervendo num copo d'água e tudo o mais) é tão retardado quanto a minha razão sem lógica. razão essa que eu ja perco, fazendo flutuar no céu de algodão doce. agora é levar o corpo, a mente, e os cacos do jeito que vão... que eles se juntam e rejuntam em várias formas e polígonos!

Fire.

eu fiz a letra dessa música na semana do acidente com o avião da TAM, em Congonhas. mandei para o ygor que colocou a melodia. fire |brunodumont when I saw the sky was gray and the fire came against me the only thing that I could think where's the miracle we all have been waiting? it comes like fire it comes like fire it comes like fire whispers can be signs of grace all the sins are miraculous if I have to see the hell with my eyes tearing blood it will come like fire it will come like fire it will come like fire it will come like fire
àdois | brunodumont quando todo mundo acha q eu sou só, eu tenho ela. e ela me tem. a gente planeja todas as coisas juntos. a partida, o refrão a patrulha, a sessão todo o futuro de toda gente daqui. a gente fere e atordoa renova desmistifica a vastidão desse chão revirado dá vida e mundos novos sepulta e benvinda a gente dói junto e chora todas as dúvidas e confusões o meu nome eu entrego pra ela casa que eu escolhi assim, de vontade própria lugar pra onde eu sempre volto tarde mas que me acolhe da mesma maneira como se eu nunca tivesse sido de outro mundo. " que vc consiga ficar bem só e pensar. " leia ouvindo:  ♫  Belchior - Passeio.