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medíocres.

eu queria aqui levantar uma questão simples: se todos procuram ser os melhores em tudo (melhor amigo, melhor namorado, melhor filme, melhor sensação, melhor funcionário, o mais qualificado, o mais bem-preparado, melhor comida...) o que vai ser dos bilhões de medíocres??? me diz!

lapso.

ele entrou na garagem, sentou no carro e parou com a mão na chave no contato. pensou em tudo o que ela lhe dissera no momento anterior, sobre como ele não tinha qualquer interesse nela, sobre o fim. recostou a cabeça no banco e fechando os olhos, adormeceu. acordou em outro carro, de outra cor, no meio da estrada. teve dificuldade pra controlar o veículo. tentava se lembrar de como tinha ido parar lá. de repente, ao seu lado, ouviu: - Amor, você tá legal? - Tati???? - disse ele com cara de quem chupou limão. - E quem mais seria, André? - É... É... Quem mais? sorriu. pisou mais fundo no acelerador, o vento batendo nos cabelos que lhe açoitavam o rosto. a curva que vinha pela frente seria mais que uma curva. no começo dela ele recostou a cabeça comodamente no banco, e de novo adormeceu. acordou num sofá, em frente a tevê. o noticiário despejava tragédias sensacionalisticamente. sentia sede, muita sede. levantou, sentiu-se tonto, apoiou-se no que pode pra chegar até a cozinha. o filtro es...

o imperfeito.

o sua melhor qualidade era ser imperfeito. fazia doer como ninguém. mas, quando a dor lhe rebatia nas faces, culpava o outro. e assim foi ficando tão longe de seu sonho que quando percebeu estava ele mesmo num sonho que não era dele.

Deise Fê.

hoje eu saí de casa meio tarde, aproveitando a carona muito oportuna do meu pai. chegando na estação de trem, coloquei o Belchior pra tocar. é impressionante como eu sempre me arrepio com Passeio. desde 2006 (quando eu conheci a música) é assim. me dá um nó no peito, uma vontade de desabar! o disco é curtinho, e eu terminei de ouvir lendo um tantinho mais do Harry Potter e As Relíquias da Morte . quando cheguei na estação Domingos de Morais precisava de algo pra ouvir até chegar na porta do trabalho, então vasculhei o iPod atrás de algo: Beulah . aos primeiros acordes de Hello Resolven ( The Coast Is Never Clear , 2001) eu imediatamente me lembrei da Deise Fê. não à toa: a moça que me apresentou a banda, assim como toda a turma da Elephant Six ( Apples In Stereo , Of Montreal , Circulatory System , Olivia Tremor Contro l, Neutral Milk Hotel , dentre outros). lembrei dos tantos momentos que passamos, eu, ela e ygor. de como éramos inseparáveis e de como as coisas mudaram. deu saudade....

saudade.

ele esperava. nunca chegava no horário, mas hoje tinha conseguido ser pontual. a impaciência - pontuada por passos curtos daqui pra lá - era efeito da pontualidade dela, que sempre chegara antes dele. ela chegou, olhando-o com uma expressão de desculpas, com o mesmo andar sereno de todas as vezes. - oi. e aí? - ele disse. - tudo bem. e aí? - respondeu ela. ele abriu um sorriso e disse: - aí. (...) (eu vivo tão sozinho de... saudade.)
escrevi uma cena linda, dentro da minha cabeça. qual não foi minha surpresa ao notar que Ela podia se mostrar cada vez mais bonita, a cada dia que passa. em cada trejeito, cada palavra. cada vez que eu a olhava...

a escolha #4.

se para ele aquele mesmo instante de êxtase tinha se tornado um martírio, agora já não se tratava simplesmente de uma questão profissional. as intermitências do tempo, esse grande brincalhão, haviam lhe trazido um novo desafio, assim como o mar, outrora revolto, no momento de calmaria traz os restos do barco afundado. a questão agora se tornara estritamente pessoal, coisa que não havia acontecido em todos esses anos de prática da temida (e redentora) Escolha. aquela moça lhe intrigava tão profundamente que queria ser capaz de causar nela dor muito mais fustigante que o suspiro lépido da morte. precisava pensar em como se vingaria da única pessoa que conseguira escapar do seu julgo até ali. acalmou-se, fitou o horizonte tímido que ali surgia. recostou-se na poltrona e contemplou a primeira estrela que já surgia no céu. deixou que o tempo agisse, à partir dali. iria ter sua vingança, cedo ou tarde. o desafio contra a moça de cabelos curtos e lábios carnudos estava lançado... pra quem...

a procura #3

por quê é que você procura algo? pelo que suspira? quantos meios de conseguir as coisas você usa? eu não sei ainda qual o motivo de tantas perguntas aparecerem pra nós assim, como as pedrinhas no caminho. sei que muitas delas vão ficar sem resposta por muito tempo. pra algumas delas não teremos resposta nunca. fomos feitos pra morrer, isso é fato. então, por quê não viver conscientes disso e aproveitar o tempo que aqui nos resta? boa pergunta, rapaz. muito boa pergunta...

Parabéns...

... aos amigos corintianos que foram campeões em cima do meu time ontem. mereceram. agora, me digam de QUEM foi a idéia de JERICO de misturar os fatores: PAPEL + FAÍSCAS??? será que por nenhum momento a cavalgadura pensou que isso podia gerar FOGO, OMG?!!! beijomeliga.

augusta diário.

03h35 da manhã. meu sono foi embora, assim que você chegou. eu quis te beijar, te sentir bem perto. esquecer do mundo la fora, de todas as buscas que ainda me atormentam e só pensar no quanto as coisas mais simples parecem tão perfeitamente acomodadas quando você está por perto. lembrei de uma coisa bonita que escrevi, muito tempo atrás. quis te mandar. ainda não o fiz, pois o Wilco tocando aqui me fez perder a noção de tudo. Jeff Tweedy devia virar estátua quando morresse, e ser entitulado "O faquir da dor", como já diria o tio Jards Macalé, tão sabiamente. me lembrei de como tudo é tão cruel pra todos nós, hoje em dia. de como todas as coisas nos fazem sofrer. da pressão do dia-a-dia, da rotina que mata os sonhos, da falta de cuidado e zêlo entre as pessoas. nada disso pode abalar-me as estruturas agora. nada disso tudo que já me abalou. fecho os olhos. unhas vermelhas (mais precisamente Vermelho Paixão)passam pelo meu braço, enquanto cada um dos meus vários pelos se arrepi...

muito barulho por nada (ou a arte de parafrasear shakespeare sem dar sequer a mínima pra tudo o que ele disse).

era uma vez a Cidade Perfeita. lá tudo funcionava perfeitamente: não havia lixo na rua, não se viam mendigos ou crianças abandonadas, todos estavam inseridos na sociedade e dela participavam ativamente. não havia corrupção, os ônibus nunca estavam lotados. e é de dentro de algum desses veículos que o nosso amigo Reginaldo começou a revolucionar. vinha ele com seus fones de ouvido, o terno alinhadíssimo, postura ereta. sentou-se numa poltrona vazia. não havia ninguém do lado. até uma moça entrar pela porta do ônibus, girar a catraca e aproximar-se dele. ela já era conhecida de vista de Reginaldo, tomavam a condução juntos quase todos os dias. sempre se entreolhavam, um sentado num banco à frente do veículo, outro sentado mais atrás. estavam sempre se esbarrando. mas Reginaldo nunca tinha se proposto a ir falar com a moça. hoje porém, achava que seria diferente. observou os movimentos esguios da guria, com olhar atento. ela veio, procurou por um lugar vazio, e sentou-se exatamente do lad...

hã?

queria muito entender o que o orkut quer dizer com essas metáforas baratas... Sorte de hoje: Todos ganham presentes, mas nem todos abrem o pacote. aff. O.O

sobre o que ninguém entende (e nunca poderá entender, obrigado).

Na pressa de encontrar motivos me perdi. O Sol, a essa hora já se pondo, refletia a minha imensa falta de vontade em viver. Balbuciei palavras, friamente. Retive nos olhos as expressões mais contidas. Enganei a todos. Acharam que eu iria pra rua, ser aquele por quem todos lamentam, o cara que não deu certo. Mas eu tenho o dom de me reconfigurar. A singela aptidão de transformar o meu calvário em redenção, e isso sem mostrar nada, pra ninguém. Por quê? Porque ninguém entende. Ninguém poderia. O meu modo de vida é sim, arcar com o mal. Sobre amá-lo, eu faço tipo. O que eu amo é entrar numa rua, num bar, numa casa, respirar fundo e sentir o cheiro da alegria. Ouvir acordes enquanto quase passo mal de tanta admiração. Sentir as coisas, do jeito que eu não sentia. O sangue correndo nas minhas veias, oxigenando o meu pobre cérebro. "get on the turkish line you've never written a diamond under my door i'm through this door..." ouvindo Vanguart - Beloved.

sexta-feira 10.

entrei em casa e ela já me olhava do alto. joguei o casaco na poltrona no canto da sala, beijei meu pai, desci as escadas pro quarto. liguei o computador, coloquei um som calmo, entrei no banheiro e escovei os dentes. logo depois, me despi, abri o box e entrei, girei o misturador e a água fez massagem nas minhas costas. fria. odeio esse chuveiro que não segura a temperatura. ajustei no misturador de modo a esquentar a água, peguei o xampu e esfreguei a cabeça cantando a próxima da lista. terminado o banho me enrolei na toalha. saí pro quarto, peguei a calça, a mesma de sempre, o único jeans que me resta, vesti as pernas, fechei o botão. peguei lá fora a tábua de passar. algo manchou justamente a camisa que eu tinha escolhido pra hoje. que saco! achei uma outra, melhor alternativa, liguei o ferro cantarolando: "Guarda os olhos nas palavras/Desinteressada, logo vira o rosto/E a página". camisa passada, desodorante, um pouco d'água pra lubrificar a garganta tão maltratada a ...
declaro recesso por tempo indeterminado. voltarei a postar, tão logo as palavras parem de me querer comprometer! (maniazinha chata essa, não?) .

Sou #1.

Marcelo era um cara normal. A infância tranqüila em meio ás peladas de rua, banho de mangueira no quintal dos fundos, a roda de choro no domingo, pegar o violão do avô escondido... Essas eram as lembranças mais frescas na sua memória. Mas não tinha lembranças claras de convivência, com qualquer familiar que seja.A adolescência, perdida entre discos de Cartola e Chico, encontrou-se nas bandas de rock oitentistas, nas calças rasgadas e no baixo que ganhara do seu pai, antes desse falecer. Foi cuspido para a vida adulta, assim, na marra, logo aos 17, com a morte da mãe. Depois disso, foi tudo um turbilhão. Viu-se obrigado a sustentar-se e a arcar com os estudos, que acabavam naquele ano, pra alívio do rapaz. Forçando a memória não conseguia perceber a lacuna enorme que havia entre conseguir a vaga no Diário e ver a si mesmo casado e prestes a se tornar pai. Jane era o oposto dele. Não combinavam em nada. Pensando bem, agora, não sabia como tinham mantido o namoro por dois anos. Mesmo vasc...