Pular para o conteúdo principal

a escolha #2

virei as costas e dei alguns passos, com o cigarro aceso na mão esquerda, a outra enfiada no bolso da calça.
a chuva só não me açoitava o rosto por causa do capuz que eu usava.
de repente me senti observado, não pelos olhos que eu tinha deixado mareados, ali, há poucos metros para trás, mas por outros olhos, distantes, frios, redentórios.
continuei caminhando, olhando pro prédio à minha esquerda.
um brilho, de espelho, refletindo alguma luz, me bateu nos olhos.
soube que tinha pouco tempo.
me despedi mentalmente dela. dei o último trago no cigarro e joguei a bituca no meio fio.
uma bala atravessou meu peito, antes mesmo da bituca tocar o chão.
fui o escolhido.
assim, fica marcada a dor em mim.





câmbio, desligo.

Comentários

l u a * disse…
minhas mais sinceras desculpas.

cheias de lágrima, e dor.
Anônimo disse…
Parabéns, sortudo!
Fabi disse…
e de quem era a bala?

Postagens mais visitadas deste blog

essa cidade.

essa cidade vai te conduzir pelos caminhos que irás seguir e sempre um passo atrás de ti vou caminhando a te acompanhar pé ante pé você pedala meu movimento é de te proteger sua maneira de se esquivar congela tudo em seu lugar minha agonia de me ver voltar sempre ao ponto de partida Essa Cidade.mp3

oração da noite.

noite. desconfusa noite. que nos tolera vasta, inexata. imprecisa. cubra da tua escuridão meu senso, envolva da tua confusão meu peito. prepara-nos belos encontros. jorra tua luz aos quatro cantos. que o medo humano de se azucrinar passa correndo pelos dias. que as estrelas iluminam os pensamentos gêmeos por menos sombra que eles façam agora. por ora, traga alento para que possamos perder o fôlego. nesta e noutras inúmeras vezes.
eu só queria desaparecer. me sentar num lugar onde não existisse ninguém e desaguar cada mágoa, por uns 3 dias, sem precisar fazer nada além disso. ficar longe das cobranças, dos compromissos, do movimento. na verdade, eu só queria que o tempo parasse e conservasse meu corpo assim. talvez só me bastassem alguns cigarros, ou alguns goles numa mesa cheia, como não faço há tempo. eu não sei o que eu quero...