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a procura.

os vícios, as letras, os ócios as cores, os jogos, sentidos preceitos, amores, colóquios loucuras, tremores, amigos o que é que você vai procurar agora? os livros, as cartas, os nomes as dores, os copos vazios conceitos, rumores impróprios fartura, temores, a vida inteira o que é que você vai procurar agora? já não bastava ter perdido tudo? o que é que você vai estragar agora? o meu lugar no universo ainda não vagou. o que é que vc vai... pra onde é que vc vai? música nova do Assinado Maria, minha banda. quem quiser ouvir, www.assinadomaria.com.br :*
de: ryotiras.com

abatido.

me revirei do avesso e tudo ficou pessoal. eu não penso mais. não posso mais. o fio da meada eu perdi. me sobra esquentar os lençóis. perder de vista a vida no sol. me humilhar. me sentir vazio. sem cor. os luxos e o idealismo são meus. e são muito do que eu tenho. solto um "perdoe-me" naturalmente. me escondo no colchão. me deixo abater. [abatido me refaço melhor. e agradeço o empurrão. só dispenso a queda.]

os pássaros.

euaflito e só,confuso e semvocê por aqui.assim eu sonhei mas isso eu não quis,que diferença?o dua se fez assim.há um conflito,um nóeu difuso enfim os pássaros vêmme levar aívisitar océu e pra ver vocêlevantando o véu pra mim,mas eles só me vêemquando eu já não seise eu estou são,o que é um sonho ruim,o que é um sonhobom,que diferença?a vida é igual,assim eeu não seieunãoseieunãoseise isso é você.quem bate aí? se é pra eu te verentão deixa eudormir.

a escolha #2

virei as costas e dei alguns passos, com o cigarro aceso na mão esquerda, a outra enfiada no bolso da calça. a chuva só não me açoitava o rosto por causa do capuz que eu usava. de repente me senti observado, não pelos olhos que eu tinha deixado mareados, ali, há poucos metros para trás, mas por outros olhos, distantes, frios, redentórios. continuei caminhando, olhando pro prédio à minha esquerda. um brilho, de espelho, refletindo alguma luz, me bateu nos olhos. soube que tinha pouco tempo. me despedi mentalmente dela. dei o último trago no cigarro e joguei a bituca no meio fio. uma bala atravessou meu peito, antes mesmo da bituca tocar o chão. fui o escolhido. assim, fica marcada a dor em mim. câmbio, desligo.

amigos, amigos. negócios à parte.

Um deles era fiscal da receita. O outro policial federal. Conversavam abertamente, eram amigos, desses com quem se pode falar sobre as coisas da vida, as coisas da morte. Havia excesso de entendimento. Eram quase irmãos, na realidade. Soube-se um dia, que, por meios excusos, o fiscal havia ganhado uma quantia exorbitante em dinheiro. Dizia ele ser prêmio da loteria. Foi instaurado inquérito, uma investigação era conduzida. Por quem? Seu amigo, policial federal. No dia, a polícia armou o flagrante. E lá estava o fiscal, pego com a mão na massa, corrompendo funcionários, oferecendo dinheiro em troca de abertura dos aeroportos do estado. O fiscal, com a impulsividade de um animal, não hesitou em fugir, correr dali. Não podia ser pego. Ainda queria ter a vida farta, a mansão, os carros, piscina, férias no Taiti. O policial sonhava com a ascenção profissional, o cargo alto no departamento, até a secretaria de segurança, por quê não? Deu voz de prisão. Ordenou que o amigo colocasse as...

a escolha #1

amanhece um dia bonito, ensolarado, por aqui.eu, do alto dos meus 58 anos nunca vi - juro! - amanhecer tão deslumbrante!o cigarro na minha mão esquerda, tão perto do meu rosto a ponto de poder ouvir o estalar do tabaco queimando, está no começo, e eu me ponho a pensar em quem será o meu objeto do dia.ah sim, todos os dias eu me ocupo com alguém, um estranho, uma pessoa qualquer que esteja passando por aqui, pra ser o meu trabalho do dia. isso requer certo grau de paciência e muita observação. precisa ser a pessoa certa, que se encaixe perfeitamente nos meus critérios, predispostos e planejados por eu mesmo, para essa tarefa diária.essa ocupação já foi oficial, quando eu servia o exército do meu país, antes de me aposentar.sempre achei que fosse essa minha vocação, por isso empreguei tantos esforços pra fazer o meu melhor, pra me doar ao máximo pra isso.acredito sim em pessoas que nascem destinadas a serem algo, seria uma contradição fortíssima não acreditar. mesmo que essa habilidade n...
estou sozinho. me cansei dos classificados, da internet rápida que não é tão rápida assim. cansei dos velhos arquivos de música. quero ficar à parte, por um tempo. ter coisas novas pra conhecer. tomo um café, fumo um cigarro. andar na Paulista vai me fazer bem.

a culpa é de quem?

eu escolhi a dedo as palavras. meti, no meio de nós dois, tantas sílabas quantas foram possíveis. você nem sequer me deu tempo de sonhar. convenci-me de que tudo havia terminado. a parte ruim, pelo menos. em uma semana, soube que o pior estava por vir. {hoje, não sobrou nenhum vestígio de humanidade em mim. saco a pistola, lhe beijo a testa, e puxo o gatilho.} e u f o r i a .

Circo Instancial.

- você não faz questão nenhuma de entender! - EU não faço??? é diferente não fazer questão de entender algo que se pode, Luísa! - você é um cretino, Marcelo! - é... talvez eu seja um cretino mesmo. mas pelo menos eu assumo isso. a porta bateu estrondosamente. Marcelo sentou-se na cama, esperando a volta da namorada, talvez com uma faca ou um revólver na mão. não deu outra: - Eu vou me matar! - disse ela, brandindo a faca contra o próprio pescoço. - Luísa! olha a sujeira!!! pelamordedeus! - FILHO DA PUTA!!! - ao dizer isso, ela joga a faca contra o namorado, num gesto de fúria cega. o cabo atinge a testa dele, que atordoado, se apoia na janela. um filete de sangue escorre pelo rosto, bifurcando-se no nariz e caindo sobre cada uma das maçãs do rosto do rapaz. - Luísa, você tá maluca, mulher??? - diz ele, ainda meio tonto. - Ai, Meu Deus!!! - Luísa diz, com olhar culpado. - Sai daqui, sua desequilibrada! - Marcelo refuta o toque da garota, se afastando bruscamente. Luísa começa a chorar. ...

os segundos depois do clique.

o vulto vinha em sua direção, cada vez mais feroz. cada vez mais veloz. a escuridão do cômodo não lhe deixava ver a face do agressor, que já envolvia os dedos em seu pescoço. arrastou-o até o canto da sala, onde uma réstia de luz penetrava pela janela. pôde ver-lhe os olhos, cinzas de ira, vermelhos de ódio. pensou em todas as coisas das mais ruins que tinha feito, a fim de justificar, ou pelo menos tentar, as atitudes violentas que o cidadão à sua frente tomava, sem uma gota sequer de hesitação em si. não conseguia entender por que ele devia ser tão sumariamente executado, ali, peito despido, só de cuecas, na sala do apartamento escuro, no meio da madrugada, tendo sido acordado de um sonho com a vizinha do lado, uma jovem de 17 anos. ouviu o roçar do metal no tecido do bolso do homem, que levantou o objeto por cima do ombro. ouviu um clique metálico e logo se deu conta de que seriam seus ultimos segundos no mundo. um estampido, a arma apontada pra parede manchada de sangue, um buraco ...

fim de ano.

você pensa que quando chega o fim do ano é hora de ter crise. você pensa que quando chega a crise de fim de ano é hora de pensar nas coisas ruins do ano que passou. você pensa que quando pensa nas coisas ruins do ano que passou é hora de pensar em como melhorar as coisas ruins do ano que passou, no ano que virá. você pensa que pensando em melhorar coisas ruins do ano que passou, no ano que virá, se redime dos erros que cometeu no ano que passou. você pensa, e pensa demais. talvez por isso não tivesse errado tantas coisas no ano que passou...

ócio.

a luz da tevê brilhava nas lentes dos óculos, já tão arranhadas que era quase impossível enxergar através delas. "ruim com elas, tanto pior sem...", pensou. deu o trago derradeiro no último cigarro do maço, olhou pras paredes mofadas, como se pudesse lembrar da aparência que elas tiveram no passado (o que era impossível, afinal, havia chegado ali faziam 3 meses, e desde já elas eram como são). levantou-se da poltrona, a tevê gritava algo sobre um acidente ou notícia trágica do gênero. caminhou em direção a cozinha, abriu a geladeira e pegou a última lata de cerveja da prateleira. abriu, deu um gole, lembrou da noite anterior. vagamente. era o que conseguia. sabia que tinha passado da conta, que passara a noite com alguém de quem não conseguia lembrar nem o rosto, nem o gosto do beijo. não havia mesmo feito diferença alguma. o sexo havia sido comum. terminou a cerveja, ainda na cozinha. colocou a lata vazia em cima da pia, abriu o armário e pegou um ou dois biscoitos. c...
www.DrPepper.com.br quando sair um com a mallu magalhães eu coloco aqui permanentemente. viva o DrPepper. (e a Simara, que me apresentou o malandro.)
tudo vazio. me sentir vivo ao ver o sangue correndo da ferida aberta me faz perceber isso. os momentos de alegria são vividos bem, como o ensaio e as conversas falando besteiras, sentados à mesa do bar, regadas a cerveja. mas, sempre fica o sentimento de que falta algo. de fato falta. um pedaço que ficou longe. quase longe demais esses dias.

algumas notícias bizarras, outras animadoras...

Em conversa com a Fabi no MSN começamos a sessão links, aí foi pérola atrás de pérola! confiram: bizarrices tem moscas na minha água, nunca mais treparei! lan house universal do reino de deus... boneca inflável taquara rachada - nossa... como vc é gostoso... banco de metal!!!! virgem de 105 anos diz que "sexo envelhece" (ela não era virgem???) imagina chegar da padaria e *tadááá* sua casa foi demolida! - fique de quatro , por favor. - mas eu só bati a cabeeeça!!! por isso eu não empresto aquela xícara de açucar pro vizinho... alemão obeso pega cinco anos por esmagar a esposa ja sabemos o que se faz com maconha apreendida na holanda. peladão ao volante. "mutirão" do golpe do baú. (onde eu assino?) a telefonica tbm opera no japão! louvável todas as armas deviam ter esse fim!

sobre como visitei as nuvens.

o horizonte ao longe fitava-me desesperadamente, me fazendo no peito uma dor lancinante. o relógio se apressou em me dizer que era hora feita, e eu fui saindo de mansinho, como quem não quer ir (e bem, eu não queria de fato), mas tive que passar pelo portal, seguir por aquele corredor hostil. "ah meu deus do céu vai ser doído assim no inferno!!!", e parafraseando tom zé, eu subi naquele pássaro. quando fui ver, já tinha caído gota atrás de gota, da plantação de saudade que tava criando ali, e eu, sem nem notar, me vi de repente flutuar, já longe as luzes da cidade, no céu lotado de nuvens relampejantes. imaginem qual não foi o meu espanto ao ver uma delas vindo em minha direção, pronta pra abocanhar os sonhos que eu guardei por tanto tempo. me apressei e alcancei o resto da turma, que já ia longe na viagem. aproveitei pra colher um pouco de cheiro teu, pois a saudade floresceria tão logo eu descesse de bordo. foi assim que visitei as nuvens, e brinquei com elas.

Sexta-feira, 31 de outubro de 2008.

23h40 estou sentado na sala de espera para o embarque no portão. o avião acaba de estacionar ali. eu tô bem cansado. de manhã fui trancado em casa, não consegui sair até às 16h30, quase não vi minha mãe, quase perdi a paciência com isso tudo aqui. esse negócio de aeroporto internacional é um nojo. todo mundo se achando poliglota e cheio da grana. okay, eles até são, mas isso não faz de ninguém o rei-da-cocada-preta! as palavras da mãe ainda ecoam aqui dentro... tão menos pela viagem quanto pelas advertências quanto aos problemas de relacionamento com o povo todo. isso é uma bosta. eu não gosto, mas a vontade de caminhar sozinho no mundo impera sempre, nesses dias. eu não sei o que fazer. ou sei, e não faço por covardia ridícula e pura. a ceninha com o pessoal da companhia aérea na porta com sorrisinhos falsos tá rolando. o vôo vai sair à 00h00, cinco minutos atrasado. eu ainda não sei se vou conseguir chegar em tempo de curtir pelo menos o finzinho da festa na nath. mesmo assim, o peit...

"but i wouldn't have you how you want"

eu já me esqueci. do cheiro, do gosto, da sensação de estar aí. e a memória era minha felicidade maior. preservava você do jeito que eu idealizei. exatamente da maneira que eu te quero. agora ficou só um fragmento de lembrança. é seu sorriso que não saiu ainda...