7.4.09

Sou #1.

Marcelo era um cara normal.

A infância tranqüila em meio ás peladas de rua, banho de mangueira no quintal dos fundos, a roda de choro no domingo, pegar o violão do avô escondido... Essas eram as lembranças mais frescas na sua memória. Mas não tinha lembranças claras de convivência, com qualquer familiar que seja.A adolescência, perdida entre discos de Cartola e Chico, encontrou-se nas bandas de rock oitentistas, nas calças rasgadas e no baixo que ganhara do seu pai, antes desse falecer.

Foi cuspido para a vida adulta, assim, na marra, logo aos 17, com a morte da mãe. Depois disso, foi tudo um turbilhão. Viu-se obrigado a sustentar-se e a arcar com os estudos, que acabavam naquele ano, pra alívio do rapaz. Forçando a memória não conseguia perceber a lacuna enorme que havia entre conseguir a vaga no Diário e ver a si mesmo casado e prestes a se tornar pai.

Jane era o oposto dele. Não combinavam em nada. Pensando bem, agora, não sabia como tinham mantido o namoro por dois anos. Mesmo vasculhando fundo não achava lembrança de um momento juntos, felizes.

A não ser no dia em que Téo nasceu. Podia lembrar perfeitamente, como se ouvisse naquele momento, o choro sufocado do filho ao deixar o ventre de sua esposa, a cara de joelho peculiar a todos os recém-nascidos. Lembrou de como foi percebendo detalhes na fisionomia da criança, como os olhos, ora parecidos com os de Jane, ora parecidos com os seus.

O filho era o que prendia o casal um ao outro, e, embora isso lhes pareça ruim, à primeira impressão, não era. Eles podiam não se dar bem em momento nenhum, mas quando o que estava em jogo era o bem-estar ou assunto relativo a Téo, eles concordavam. Sentavam, ponderavam todos os prós e contras, todas as vantagens e desvantagens sem brigas ou discussões.

O menino, já com oito anos de idade, vivia em liberdade. Ia pra rua, fazer como seu pai, correr atrás da bola com a camisa do Vasco que o avô, que nem chegou a conhecer, dara a seu pai quando este tinha a mesma idade. A fixação pelos instrumentos do pai, inclusive o antigo Jazzbass que este possuia no estúdio, era vista pelo pai como vocação, embora nada lhe fosse imposto com relação ao caminho que quisesse seguir profissionalmente.




continua...





o texto acima faz parte de um projeto (dos muitos interminados e esquecidos nos meus escritos) de MojoBook sobre o disco do Marcelo Camelo, Sou (Nós, pra alguns).
estarei postando aqui os trechos da história, que vai sendo escrita entre outros textos e letras.




6 comentários:

Karla Marrocos disse...

AH! eu adorei isso... quero ver o resto... e eu sempre quis escrever histórias assim, iguais as que eu escrevia quando era menor (menor hahahaha)... sei lá, não consigo mais!

Marta Pinheiro disse...

ô bruno... vc não quer escrever pra mim na minha aula de roteiro? brigada! =)

l u a * disse...

estarei postando... tsc!


(acho que eu devia tratar em análise esse meu gosto em ser chatíssima.)

Amanda Bia disse...

muita coisa fez sentido agora...

Jaya disse...

Bruno, Bruno!

Tô com medo de encontrar MM no final dessa trajetória bonita.

Vou acompanhar de pertchinho.

Besos.

:*

Amanda Bia disse...

associei umas coisas escritas aqui à músicas dele, entendeu? por isso fez sentido!